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1985-86 Parte 2

 Em 1986 as coisas continuaram — mas já não com aquela faísca inocente do início. Continuaram com um peso mais fundo, mais silencioso. Eu diria que foi um ano mais resignado , como se a esperança ainda existisse, mas já não andasse solta: vinha presa por um fio, sempre a pedir para não ser humilhada outra vez. Eu via a Sofia e já não pensava “um dia”. Pensava “talvez”. E depois pensava “provavelmente não”. E mesmo assim… eu não conseguia parar. Havia qualquer coisa em mim que insistia. Não por teimosia, mas por necessidade. Como se o meu coração, naquela idade, precisasse de tentar mais do que precisava de ganhar. Eu queria, pelo menos, sair daquele amor com a sensação de que não tinha ficado só a olhar. Queria provar a mim próprio que era capaz de atravessar o medo e pôr-me à frente dela como uma pessoa real, não apenas como uma presença escondida nos corredores. E por isso houve muitas tentativas de abordagem . Não foram sempre grandes momentos, não foram cenas dramáticas. F...
Mensagens recentes

1985-86 - Parte 1

 Eu já a tinha visto antes — quero dizer, ela já me tinha despertado a atenção antes. Não era indiferença. Era só… uma atenção sem nome, um registo rápido, como quando a vista pára num detalhe bonito e segue caminho. Eu via-a e pensava qualquer coisa vaga: há qualquer coisa nela . E pronto. A vida continuava. Até deixar de continuar. No 7 de Janeiro de 1985 , aquilo ganhou forma. Eu não sei explicar de outra maneira. Foi como se, de um dia para o outro, ela deixasse de ser “uma rapariga que passa” e passasse a ser uma presença dentro de mim. Uma coisa que eu levava comigo, mesmo quando não a via. Uma ideia que não me largava. E o que me assustou não foi gostar. Foi a intensidade silenciosa com que comecei a gostar. Porque não era um entusiasmo de filme, não era aquela alegria leve que se conta aos amigos. Era mais íntimo, mais fechado. Era como se eu tivesse descoberto um segredo e esse segredo fosse demasiado grande para a minha idade, demasiado pesado para dizer em voz alt...

Parabéns!

Hoje é o teu dia, e ainda que a vida nos tenha levado por veredas diferentes, permaneces como uma lembrança rara que o tempo não ousou desfazer. Há pessoas que ficam em nós como se fossem parte do silêncio — guardadas, intactas, como uma chama discreta que nunca se extingue. Tu és uma dessas. Que o teu caminho continue a encontrar claridade, que os teus passos se cruzem com horizontes abertos, e que a vida te surpreenda com instantes que valem por eternidades. Mesmo à distância, mesmo no silêncio, há sentimentos que persistem — contra o tempo, contra o esquecimento, contra todas as marés. Feliz aniversário. 🌹✨

Finalmente um sonho com final feliz

Depois de vários anos e alguns sonhos, as coisas acabaram por se resolver de forma muito positiva e com um final inédito e até "novelesco". Em duas noites seguidas acordei de madrugada com o sorriso no rosto, também não foi por menos. Parecíamos estar na época medieval e na primeira, as coisas ainda enrolaram um pouco, mas na segunda o desfecho foi favorável e ela ficou comigo para sempre. Teve que rejeitar alguns interessados em que a coisa não se desse, mas libertou-se comigo. Os detalhes desta vez ficam comigo. Fiquei a pensar: 1. Porque havia uma atmosfera medieval, com retoques dos anos 90 do século XX? 2. Porque duas noites seguidas a sonhar com a mesma pessoa, quando tudo parecia arrumado na minha cabeça?

Eu nunca te vou esquecer!

Feliz Aniversário

 

Letra que invoca recordações de outrora

Feliz Aniversário!

 

O reencontro (em sonhos)

Acordei de madrugada quando nada disto seria de prever, logo hoje num dia comemorativo para mim.  Estávamos no final de um evento cultural qualquer, ela arrumava objetos e eu observava, decidi participar e ajudar, assim como outros o faziam. De um momento para o outro éramos apenas nós os dois naquele corredor longo e frio. Mesmo sem qualquer diálogo, ela conduzia o carrinho porta-paletes e eu ajudava. Depois uma caixa, outra e algumas manobras, éramos uma dupla muda mas com grande eficácia. Os trabalhos estavam a terminar e ela carregava com as mãos alguns objetos de pequena dimensão e eu aproveitava a oportunidade tão rara nos últimos anos de a admirar.  Decidi por fim ir embora sem qualquer abordagem ou frase trocada, quando para surpresa minha ela falou comigo e pediu para me acompanhar. Caminhávamos na rua, sem dizer nada, Sofia começou a tentar explicar coisas do passado, porque foi assim entre nós e porque nunca aconteceu nada do que poderia ter acontecido. Agora somos ...

Feliz Aniversário, Sofia